5 coisas que eu fiz que mudaram a minha vida

Colheita da minha hortinha na laje

Eu era uma pessoa infeliz e reclamona. Ok, quem convive comigo vai dizer que ainda reclamo, e estão certos — não consegui me livrar totalmente desse vício inútil e horrível. Mas eu era pior: não gostava da cidade em que morava, do trabalho, da temperatura, do jeito que as coisas são, e reclamava de tudo: das coisas que eu podia mudar (mas não mudava) e das que não podia (baita gasto energético). Tudo começou a, bem, mudar — quando eu:

1 Comecei a correr
Correr me ajudou a trabalhar dores e sofrimentos. O dia em que entendi que meu avô, na UTI, ia morrer, saí de lá e fui correr. Correr me fez sair de casa quando só o que eu queria era dormir e comer. Correr me faz tirar férias do meu intelecto constantemente emaranhado. Correr oxigena o cérebro, mexe o corpo, libera endorfinas. Nos meus piores momentos eu só sabia que, seja o que for que estiver acontecendo, tenho que sair de casa e correr. Abaixa a cabeça, não pensa — só corre. Correr é o contrário da imobilização.

2 Adotei um gato
Eu não tive filhos e meus sobrinhos cresceram longe de mim. Não tive a oportunidade de ser tocada por uma vida humana nova, como muita gente tem quando chega um bebê em suas vidas. Mas quando adotei um gato pude sentir algo do tipo. A Júpiter me emocionou, me fez chorar com ela no colo, pequenininha, entendendo a necessidade do cuidado e atenção para que uma vida nova vingue. E me abriu a compaixão para todos os outros animais — e humanos. Sem dúvida me tornei uma pessoa melhor depois que a Júpiter entrou na minha vida.

3 Fui fazer análise
A psicanálise me ajudou a cair na real. A ver as coisas como elas são. A começar a entender minha responsabilidade na vida. A abandonar a culpa e o culpar o outro.

4 Mudei de um apê para uma casa
Há anos eu queria morar em uma casa, mas o aluguel do apê era barato e eu ia ficando — e ansiando um pátio com sol cada dia mais. Daí achei o Heitor na rua, e no prédio em que eu morava não podia ter cachorro. Em um mês estava morando em uma casa com quintal e sol! Comecei uma horta, ofereci lar temporário para bichinhos resgatados, adotei mais gatos, comecei a tomar banho de sol pelada e chuveiradas frias, comecei a ficar contente, contente… até que me vi feliz!

5 Me dei conta, de verdade, que eu sou a responsável pela qualidade da minha vida — e mais ninguém. Mesmo.
Às vezes a gente acha que não dá pra fazer de outro jeito. Que só tem uma maneira. Daí vai e descobre que tem, sim, outros jeitos (como descobre? Pra mim foi na psicanálise). A partir daí passa a ser uma escolha. Se dá pra mudar (uma coisa ou situação que você não gosta), e você quer mudar, tá resolvido (só falta fazer: vai e faz!). Se não dá pra mudar, você tem três opções: trabalhar para que dê para mudar, um dia; aceitar que agora não dá pra mudar e aprender a se contentar com o jeito que as coisas são; odiar o jeito que as coisas são e permanecer infeliz e reclamando.

A aceitação das coisas-como-elas-são é uma ferramenta poderosa. De verdade, pode mudar a tua vida e relação com tudo e todos. E libera um espaço imenso dentro de ti — que estava ocupado com a negação, a recusa, que são paralisantes — para que tu possa CRIAR.

Eu vivi aaaaaanos num baita mimimi, sem ver que eu podia fazer as coisas diferentes, me achando uma vítima da sociedade, que tiiiinha que fazer isso ou aquilo e estar aqui ou lá por causa disso ou daquilo, pobre de mim. Daí um dia ouvi meu amigo dizer “quer fazer pão? Vai fazer pão!”. Foi aí que comecei a entender, e comecei a fazer o pão que é a minha vida.

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Faço tacos veganos e oficinas de horta na Casa Herbívora, escrevo sobre hortas, bichos, plantas e coisas do tipo no www.herbivora.com.br, faço uns vídeos e entrevistas no canal Herbívora no YouTube. Gostou do texto? Segue a página no FB pra ficar sabendo de outros.

Muito grata pela leitura!

Escrevo, planto, estudo, viajo. Falo com bichos, abraço árvores, e vice-versa.

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