Somos os novos dinossauros

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A grande tarefa que se coloca no antropoceno, me parece, é a de desaprender a viver — e depois, se der tempo, aprender a viver de outros modos. Para viver no antropoceno é primeiro preciso morrer, como sugere Roy Scranton [4]. Despedir-se das certezas e seguranças, abandonar as ilusões e privilégios. Soltar a mão da borda da piscina. Questionar tudo e olhar debaixo dos tapetes, encarando a sujeira. Assumir que foi você que sujou, e se responsabilizar. Não é tarefa fácil para nós, tão acostumados ao mundo do jeito que sempre foi. Nós, que vivemos numa época em que parecia que o capitalismo funcionava — para nós, tão bem acomodados no 30mo andar da penthouse, no terraço do edifício da estratificação social. “Estranhar, desnormalizar o que está tão entrelaçado à experiência de viver no Brasil, implica um trabalho interno profundo de cada um” [5], diz Eliane Brum. Jerá Guarani diz a mesma coisa de outro jeito: “Tornar-se selvagem não é algo que pode acontecer rápido, de um dia para outro, mas algo que implicaria momentos de muita dedicação e de muito trabalho por parte de vocês, não indígenas” [6]. Estranhar e desnormalizar os modos de existir até agora praticados pelo humano. Tornar-se pelo menos meio selvagem [7] (essa é a tarefa. E não escrever esse texto).

Leia o texto completo no zine Fuço. O zine Fuço é composto pelo texto escrito para a disciplina O Antropoceno – Abordagens Transdisciplinares, oferecida pelo IEB-USP, no segundo semestre de 2020 — ano I da pandemia.

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Escrevo, planto, estudo, viajo. Falo com bichos, abraço árvores, e vice-versa.

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