Todos os dias nós, a classe média branca, renovamos os votos com o pacto colonial

crédito: @trollinho Unsplash

Ontem era o “dia do índio”, e Geni Nunes fez um post falando sobre como brancos podem ser aliados na luta antirracista: não como salvadores, mas como traidores do pacto colonial. Eu nunca tinha chamado assim, mas essa é uma boa definição para o meu horizonte de ação pessoal: eu quero trair o pacto colonial — que é absolutamente nocivo não apenas para a maior parte da população deste país mas para a Terra (ou seja, para todas nós). E o que é o pacto colonial?

Leia o texto completo no Sul21.

Alessandra vive na Guarda do Embaú, em Santa…


Dois tipos de contemplação que podem botar as coisas em perspectiva, aliviar o sofrimento — e promover encantamento e reconexão com a vida


Um texto com (muito) mais perguntas do que respostas

Estou aqui com minha tapioca de mandioca pubada e meu leite de inhame, tudo feito em casa, e percebo o quanto estou orgulhosa de comer assim. No semestre passado, no mestrado em Nutrição em Saúde Pública da USP, fiz a disciplina Determinantes das escolhas e comportamentos alimentares, das professoras Patrícia Jaime e Neha Khandpur. E comecei a questionar o quanto eu, ativista alimentar, sou tão influenciada por marcadores de identidade quanto qualquer pessoa — como aquelas que comem ultraprocessados pela praticidade, ou as que compram Danoninho acreditando na publicidade. …


Passei tanto tempo voltando para o trabalho logo depois do ano novo que, quando não precisava mais fazer isso, continuei fazendo

o "escritório" atual

Eu fui sócia de uma empresa uma vez, e, por mim, o recesso de ano novo duraria até o dia 10 de janeiro (sem descontar das férias). Minhas sócias, que são muito queridas mas são muito workaholic, nunca concordaram comigo nesse ponto (e nem em vários outros). Assim que continuamos voltando para o escritório logo em seguida do feriado, talvez apenas um dia depois, pra não pegar tanto trânsito. Eu saí da empresa em dezembro de 2016. Em janeiro de 2017 me peguei tomando banho de mangueira na laje do sobrado onde morava em São Paulo e me perguntando "que…


Como conciliar raiva e desejo?

my ranho-e-cabelo-ball. um sonho em 1992. desenho de Sylvio Ayala

Não tinha passado nem duas horas desde que saí da clínica quando recebi um whatsapp do médico. Dizendo que havia errado no laudo, precisava fazer outro. Não deu nem tempo de eu me perguntar "por que raios é o médico que está me mandando essa mensagem e não a moça da recepção?". Eu já sabia. Essa possibilidade já havia me passado pela cabeça: esse médico ia tentar falar comigo.

Eu tenho 50 anos na cara e ainda não aprendi. Estava lá eu deitada na maca, pernas abertas, quadril levantado, aquele lençol em cima de mim, esperando o exame começar. Para…


A beleza esconde infernos em nada diferentes daqueles expressos pela "feiúra"

uma época em que eu estava me achando bem "perfeita"

Eu também durante muito tempo achei que beleza traria amor. Pior: eu achava que quando eu estivesse “perfeita” — bonita e magra — o amor viria. Eu pensava: quando eu chegar “lá” alguém vai se apaixonar por mim.

Ontem terminei de ler o novo livro da Elena Ferrante, A Vida Mentirosa dos Adultos. Dá uma raiva dos adultos-padrão, uma vontade de nunca ser igual. Queria eu ter tido a inteligência e a presença de espírito da protagonista quando eu tinha a idade dela. Muita dor teria sido evitada. Mas enfim, o que eu queria dizer é que tem uma passagem…


Uma pessoa muito menos perfeita do que eu pretendia ser

uma pessoa que só quer dormir no sol com um pano na cabeça cercada de cachorros

Não sou uma boa estudante. Não sei estudar, nunca estudei: eu só prestava atenção na aula. Agora, nem isso: tô sempre distraída com alguma outra coisa. Pra tu ter uma ideia, eu só consigo ouvir o que o professor tá falando quando ao mesmo tempo fico jogando tetris ou spider. Isso significa que estou sendo uma mestranda medíocre. Não consigo me dedicar ao que não me interessa muito (só quero ler sobre o antropoceno) e não estou fazendo todas as tarefas das disciplinas.

Tenho saudade de dançar forró, de gastar dinheiro, de pedir um delivery de comida de vez em…


As dores — porém delícias — de uma vida incerta

toda professorinha dando oficina

Tem gente que me pergunta isso, e eu imagino que tem gente que não pergunta, mas tem curiosidade. Então vou fazer uma retrospectiva de como cheguei aqui pra explicar o que me mantém aqui, agora. Eu me formei em jornalismo, mas fazia anos que eu não trabalhava como jornalista. Eu era sócia de uma consultoria de UX e a gente trabalhava para mega empresas tipo NET, Vivo, Gol, Itaú, e eu ganhava um monte de dinheiro. Mas chegou um dia em que o trabalho que eu fazia não fazia mais sentido para mim. …


Não espere que o masculino doente se cure. Enquanto eles estão ocupados sendo homens, a tarefa de cuidar da Terra é nossa.

Fui para a mata e tive medo. Não dos animais: não tenho medo dos bichos. Mas às vezes tenho medo do humano, especificamente o tipo macho-portador-de-pinto. Meu medo é de sentir a dor do feminino violado pelo masculino doente. Eu já senti essa dor: eu já fui violada. Na mata, hoje, eu senti essa dor mais uma vez. Percebi, no chão da floresta, que essa é uma dor planetária. Nossa mãe, a Terra, está sendo violada pelo masculino doente.

Nas florestas, as árvores sendo arrancadas com correntão. Nos becos, mulheres humanas estupradas. Nos terreiros, bruxas sendo perseguidas e queimadas. Nas…


Passei de fase no videogame da vida fora do escritório. Spoiler: tá mais difícil

lindo, né? mas é freela-dependente

Já se passaram dois anos desde que saí da sociedade em uma consultoria de UX para escrever e plantar (não: não “larguei tudo”). Eu não tinha um plano muito definido. Já estava produzindo conteúdo para o site Herbívora e o canal no YouTube, mas não sabia qual seria o "modelo de negócio" (ainda não sei). Mas eu tinha vontade, entusiasmo, e dinheiro. Por um tempo, eu não precisava me preocupar com pegar trabalhos: eu pude viajar e fazer cursos e residências, estudando agrofloresta, botânica, permacultura, agroecologia. …

Alessandra Nahra

Escrevo, planto, estudo, viajo. Falo com bichos, abraço árvores, e vice-versa.

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